Olha, será que é uma estrela, será que é mentira, será que é comédia, será que é divina a vida da atriz. Se ela um dia despencar do céu, e se os pagantes exigirem bis, e se um arcanjo passar o chapéu, e se eu pudesse entrar na sua vida...
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
...
Antes da chuva parar, ela fica mais forte. Antes da lâmpada queimar, ela brilha o máximo possível. Antes do copo quebrar, ele insiste em ser absurdamente sólido. Antes do gás do forno acabar, as chamas crescem e queimam mais. Antes do fim da melodia há o silêncio para a última nota. Antes da última palavra do soneto há o sentimento condensado em versos. Antes do sentir há o estar distraído. Antes do amar há, apenas, o não amar.
Amar com Poesia
Um dia sonhei com poesia
Pensei em inventar coisas
Tipo amor
Tipo nostalgia
Um dia tentei descobrir o que era o mar
Tentei querer amar
Imaginando que seria só fantasia
Amar na poesia
Um dia pensei em sentir o perfume das flores
Viver sem sentir dores
Um dia tentei viver
Esquecer que queria morrer
Um dia quis saborear o néctar
Cortei-me nos vidros
Sangrei sem ser ouvido
Um dia vou deixar de amar com poesia
E vou morrer para essa vida
Sem sonhos
Nem fantasia
Vou morrer pra poesia
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Maresia
Sinta a maresia que brotou na chuva
E esqueça os olhos que ficaram para trás
Porque já não fazem parte dos dias que se desenham
Para você sorrir quando o outono chegar
Os ventos levaram aquele sorriso triste
Que se findou depois que dobrou a esquina
Onde a luz do poste não iluminava a caçalda
Que absorvia seus passos indecisos e tímidos
Esqueça a tristeza que envolve sua névoa
Para que o amanhecer seja leve e colorido
Como o passeio no parque de mãos dadas
Onde a sutileza do amor começará a tomar forma
Sem que as nuvens do desencanto apareçam
Com novas tempestades para ferir as flores
Que estão sendo acariciadas para enfeitar a primavera
Que irá nascer no horizonte de sua vida
do desejo
Essa tarde meu corpo acordou com vontade
Com vontade do seu corpo do lado esquerdo
Meu cabelo com vontade de seus dedos
Minhas costas com vontade de seu peito
Os lençóis com vontade de seus cotovelos
Coxas com vontade de suas coxas
Lábios com vontade de virilha
Mãos com vontade de costas, cabelos, nadegas
Voz com vontade de gemidos, silêncio
Pernas com vontade de suas mãos
Profundidade com vontade de sua superfície
Vontade de dentro inteiro, íntegro, intenso
Vontade de sua rigidez, de suas palavras líquidas no ouvido
Ouvidos com vontade de gemidos, silêncio
Olhos com vontade dos seus olhos entre as minhas pernas
Unhas com vontade de seus braços
Espasmos com vontade de seus espasmos
Rosto com vontade de seu rosto
Descansando um sobre o outro
algum silêncio, algum sorriso, algum afago.
Vontade...
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Oculto
Sentei aqui para escrever, mas minhas mãos já não se movem. Tenho a mente vazia. Já não psicografo minhas próprias mensagens ocultas. Já não entendo nada. E nada; é tudo. Vazio. Cru. Interminável.
Há uma linha tênue e invisível prendendo meus punhos à cama. Os olhos não abrem. A paisagem é nuvem cinza de tempestade violenta. Formigueiro de sentimentos consumindo o açúcar do algodão que já não é doce e está sujo demais para limpar feridas. E não há outra maneira de sobreviver.
É que quando as palavras calam surge em mim uma vontade louca de chorar. Chorar os pensamentos fugidios que sei que estão em algum lugar onde não alcanço. Talvez passem por mim acelerados sem que eu possa capturá-los, pois meus movimentos são lentos, fruto da vida sedentária que venho levando.
Só me saem essas lágrimas secas e invisíveis. O que guardo é mais salgado. Mais profundo. O que guardo já não quero guardar, mas não tem jeito. O que guardo sou eu protegida por uma cápsula de gelatina bamba em cima de uma mesa torta.
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1 minuto de silêncio (passado)
terça-feira, 16 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Do agora.
do salto
do instante
do flagra
do estopim
do estouro
do contrário
do início
do erro
do inusitado.
sábado, 13 de agosto de 2011
.
Um milhão
de mulheres inacreditáveis na avenida
e você grintando meu nome
somos mulheres inacreditáveis querida
somo homens
nossos blues é indiano
e suas unhas vermelhas
combinam com seu carro
de supermercado
recolhendo lata
trepidando na calçada
será que um dia
sua coxa engrossa
sua unha desbota?
como é que seria você
cruzando salto na praça?
desejada pela multidão
gritando seu nome
em garganta que esgarça?
a tarde passa
e ela inaugura um novo padrão
dinheiro eu sei que te falta
mas você tem coração?
de mulheres inacreditáveis na avenida
e você grintando meu nome
somos mulheres inacreditáveis querida
somo homens
nossos blues é indiano
e suas unhas vermelhas
combinam com seu carro
de supermercado
recolhendo lata
trepidando na calçada
será que um dia
sua coxa engrossa
sua unha desbota?
como é que seria você
cruzando salto na praça?
desejada pela multidão
gritando seu nome
em garganta que esgarça?
a tarde passa
e ela inaugura um novo padrão
dinheiro eu sei que te falta
mas você tem coração?
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Por Heyk Pimenta e Giovanni Baffo
terça-feira, 9 de agosto de 2011
- E então, o que me diz?
-Nada, nada. Fico apenas calada, observando-te enquanto posso. Um dia, talvez eu não possa mais, talvez eu não queira mais. Enquanto eu posso, enquanto eu quero, te observo, te sigo, te tomo com café e sem mais poesias. É assim que tenho você. Assim. Na minha mudez que grita seu nome-vida pelos meus poros. Nos meus cabelos que brilham o brilho dos seus olhos. Nos seus tantos jeitos de falar e cantar. É assim que tenho você e que quero você. Perto, tão perto que nem você mesmo pode saber o quão perto está e nem que eu queira, consigo te levar pra longe.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Liberdade (ou descaso)
Busco conhecer todos os lugares que vejo
(mas em nenhum permaneço)
Por aí, seduzo só o que desejo
(até de amar eu esqueço)
Não me surpreendo, nem faço exigências
(é tanta liberdade, quase um descaso)
Não procuro supridores de carências
(e quando me apego, é por acaso)
Meu corpo nunca serviu de abrigo
(e eu não crio raízes)
Não há quem sempre estivesse comigo
(e eu não costumo fazer as pessoas felizes)
Fidelidade nunca foi o meu forte:
Eu sempre estive sem estar.
(mas em nenhum permaneço)
Por aí, seduzo só o que desejo
(até de amar eu esqueço)
Não me surpreendo, nem faço exigências
(é tanta liberdade, quase um descaso)
Não procuro supridores de carências
(e quando me apego, é por acaso)
Meu corpo nunca serviu de abrigo
(e eu não crio raízes)
Não há quem sempre estivesse comigo
(e eu não costumo fazer as pessoas felizes)
Fidelidade nunca foi o meu forte:
Eu sempre estive sem estar.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Até qualquer dia...
Sei que não poderei impedir que meu mar fique seco
Que as ostras fiquem sem pérolas
Que meus olhos fiquem sem sonhos
que eu me afoque em meu desânimo
Sei que depois da tormenta
Virá o desencanto
Não haverá mais rosa
Não haverá um novo canto
Sei que tudo findará
A estrela apagará
As lembranças ficarão
Só não sei se terei mais um coração
Sei que o arpoador fica logo ali
Mas como ir passear se não poderei sorrir
Meu sorriso voará para longe
Para terra sem sonho perto ou distante
Ficarei sem rumo
Ficarei sem um olhar
Ficarei sem meu mar
Ficarei sem vida para poder pelo menos gostar
Que as ostras fiquem sem pérolas
Que meus olhos fiquem sem sonhos
que eu me afoque em meu desânimo
Sei que depois da tormenta
Virá o desencanto
Não haverá mais rosa
Não haverá um novo canto
Sei que tudo findará
A estrela apagará
As lembranças ficarão
Só não sei se terei mais um coração
Sei que o arpoador fica logo ali
Mas como ir passear se não poderei sorrir
Meu sorriso voará para longe
Para terra sem sonho perto ou distante
Ficarei sem rumo
Ficarei sem um olhar
Ficarei sem meu mar
Ficarei sem vida para poder pelo menos gostar
segunda-feira, 25 de julho de 2011
25/11/2011
And I cannot guess what we'll discover
So brown eyes i'll hold you near cause you're the only
song I want to hear
A melody softly soaring through my atmosphere.
So brown eyes i'll hold you near cause you're the only
song I want to hear
A melody softly soaring through my atmosphere.
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