segunda-feira, 27 de junho de 2011

Tarde Demais

E aqui,
Desfalecidos e circunstancialmente inertes,
Somos a prova viva da expressão,
Tarde demais para nos tornarmos santos -, Mas, Flagrando você me olhar assim, Começo a crer na ressurreição.
No teu ressuscitar ereto.
Eu estou quase sempre pronta.
Quase sempre.
Tenho certeza que vai ser ainda melhor.
Acho que agora eu quero morrer e viver contigo para sempre.
Vem.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Pseudo-paixão

Não lembro exatamente quando isso começou, basta saber que, a partir daquele dia, ele sempre soube onde (e quando) me encontrar. Quando eu menos espero lá vem ele na contramão, sorriso peculiar, bom humor infindável, olhos cor-de-café e palavras agradáveis a me esperar: anestesia para corpos desejados, mentes cansadas e almas carentes. Entre quatro paredes daquele carro com cheiro-de-recém-comprado, quando o jazz dá ao meu corpo a verdadeira idade... enfim, todo e qualquer tipo de convivência que sirva de pretexto para que os olhos e bocas e corpos desaprenderam a disfarçar: desejo. Ele para o carro."Me devore", lê em mim. Toques experientes mexem com exaltidão minhas curvas (até então) ingênuas: além de saber por onde eu ando, ele também aprendeu a me interpretar. E eu tomo dele a responsabilidade dos seus cabelos-quase-grisalhos, e ele leva toda minha inocência... e minutos fingem ser horas: ele menino, eu mulher.
Desde então tem sido assim: quase uma prostituição.
Palavras que se embaçam junto aos vidros; vazios deliciosamente preenchidos por instinto.
Na verdade, o meu contentamento sempre se deu em sair daquele carro com uma mistura de dúvida e certeza, imaginando que ele vai voltar em uma tarde qualquer, e seremos nossos, mesmo que nos 30 minutos de seu horário livre - tempo que eu levo sem que as pessoas percebam meu atraso, pra chegar em casa... e lá, estendo o meu sorriso por dias, e o jazz é que me faz companhia dentre essa liberdade incerta, recíproca e imensa.

Aqui

Há, no seu jeito de querer o meu sangue, e querer a minha paz, e querer a minha dor; algo de doce. Há, no silêncio do seu riso um som que perfura meus tímpanos, e perfura minhas veias, e consome minha alegria. Algo que no último instante me faria implorar pela morte, pois a eternidade seria pior.

Há, nesse ódio recíproco, algo de amor.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

L'excessive

Chegou a hora d'eu ir.
Roupas, dinheiro, o vinho santo
Deixei tudo em seu devido canto
Mas eu...
Sei que não caibo mais aqui.

Minha múltipla personalidade
Não permite esconder:
Preciso engolir, devorar,
Me perder, me achar... Fugir, sem ter um cais
Saciar minha sede de mais.
Amo você, mas mais ainda a minha liberdade.

E na grandeza da cidade, as coisas cruas da vida:
Nos corpos, observo as feridas
Nas almas, sinto as ausências
Nos corações, restam carências
Nas mentes, só as loucuras...
Cada homem, uma criatura

Não sei onde vou chegar
E quero que ninguém me siga.
Não sei se um dia vou parar
Ou se alguma coisa vou conseguir...
Mas vou. Sem máscaras, proteções ou escudos,
Vou atrás de tudo: tudo aquilo que me instiga.

Pequena Mariella

Mariella, minha pequena. Queria te falar umas coisas, mas minha voz já quase não sai. Te chamei, você não ouviu... sua revolta falava mais alto na porta da cozinha. Já não aguento mais essa televisão; definitivamente, ela não serve mais pra me distrair. As letras dos livros parecem estar menores, já não enxergo com tanta facilidade. Quando leio, logo me dá dor de cabeça. Eu gosto mesmo é de ouvir você cantando Chico Buarque enquanto toma banho... minha audição não é das melhores, eu sei, mas dá pra ouvir você cantar, bem baixinho... como uma oração. Ah, o Chico... a voz dele me arrepia até hoje, sabia? Ô homem que me encanta.
Como eu comecei escrever lá em cima, tinha umas coisas pra te falar. Como não consegui, resolvi te escrever. Minha letra não é das melhores, mas acho importante que você saiba: é que ontem eu ouvi você conversando com seu pai... não sei bem se ele prestava tanta atenção em você - daqui da cama, dava pra ver você indo pro lado e pro outro atrás dele -, mas eu ficava atenta a cada detalhe do que você dizia. Lembro de te ouvir falar sobre a artificialidade das pessoas hoje em dia, da importância que as pessoas dão ao que os outros dizem e de você se sentir diferente entre seus colegas de colégio. Quero que você saiba que isso não é de hoje em dia - pelo contrário, a liberdade que vocês tem de expressão é bem, bem maior mesmo... é que você não viveu na época da ditadura. Ninguém podia ser o que queria... obedeciam e pronto. As pessoas podem te achar estranha, mas você tem ao menos o direito de ser como é. E sobre elas se importarem com o que os outros dizem... um dia elas vão perceber que isso não adianta nada.
Mas a verdade é que você me fez voltar no tempo...
Eu estava numa festa, na casa de um amigo meu... pense num cara que só tinha amigos fodas. Fodas mesmo! Todos adultos, mas adultos diferentes... gente que enxergava muito além. Mentes abertas, mentes brilhantes. Sentada num canto, eu observava, admirava todos eles. Até que um chegou perto de mim, e perguntou que faculdade eu fazia, ou se eu era 3º ano. Falei que era 8ª série e tinha 14 anos. O silêncio tomou conta por uns segundos mas não demorou muito até ele falar as palavras que eu, até então, não esqueço. Ele falou sobre sua desesperança com a juventude da época, e que eu era o tipo de pessoa que fazia ele perceber que esse tipo de gente - as pessoas de alma, pessoas que vêem além, que procuram um motivo pra viver - sempre ia existir. E que, enquanto houvessem pessoas assim, elas iriam se encontrar... afinal, algo teria que uní-las. Sejam os gostos musicais, os lugares que frequentam, as pessoas que conhecem... elas não vão iriam ser sozinhas. E é isso que eu quero que você saiba.
Por mais que pense que é exceção, Mariella, você não está sozinha. Logo você, tão detalhista e perspicaz... leia as entrelinhas, você vai ver. Use todo o potencial que há dentro de você. Saia por aí, procure essas pessoas - e una-se a elas. Peço a você, pequena, de todo o meu coração: não desista de você!
Eu imagino o universo inteiro, e vejo o planeta Terra pulsando. Vocês são o coração desse mundo... por favor, não deixem ele morrer.

Seu doce predileto

Ela é uma moça de poses delicadas,
sorrisos discretos e olhar misterioso.
Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice,
uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser,
um toque de intuição e um tom de doçura.
Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude,
uma solidão de artista e um ar sensato de cientista.
Ela é intensa e tem mania de sentir por completo,
de amar por completo e de ser por completo.
Dentro dela tem um coração bobo,
que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez.
Ela tem aquele gosto doce de menina romântica
e aquele gosto ácido de mulher moderna.

sábado, 21 de agosto de 2010

Contra Mão

Não precisa escalar montanhas
Não precisa cruzar o oceano
Não precisa achar uma cura para tudo isso que te faz chorar
Não precisa alcançar as estrelas.
Quando a vida se torna tão escura,
E quando o vento sopra na contramão
Você deve seguir seu coração
Quando todos os seus amigos vem e vão
O sol não brilha tão longe.
A felicidade pra cada um é duradoura
Mas é desperdiçada, como uma maré de oceanos.
Quando todos os momentos difíceis excedem os bons
E todas as suas palavras são mal interpretadas
Quando o dia parece estar perdido das estrelas
Você deve seguir seu coração
Se você sente, você paga o preço
E suas feridas devem sessar e curar
E tudo o que você ama na vida,
Dá voltas como em uma roda
Você deve despertar, para encontrar seu abandono
Se a estrada em que você viaja, leva a um beco sem saída
E quando os rastejos da morte já fazem parte do jogo
Você deve seguir seu coração.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O peso da leveza

Desabafo aqui o meu auto-desprezo.
Por todas as vezes em que eu fui confortado por suas palavras que, de tão doces, me soavam como mentiras... Por seus gestos de carinho que, de tão certeiros, me traziam a sensação de ser o milésimo a sentí-los... Até mesmo pelo seu sorriso que, de tão ingênuo, parecia ter a manha de conquistar a todos.
Você sempre esteve aqui, mas também esteve sempre em vários lugares. Você não era minha, e disso eu sempre tive certeza. Você é fácil de ler.
Assim como me satisfez, parece que também soube suprir outros vários corpos, olhares, bocas... Coisa que eu nunca soube fazer.

Overdose de verdade

É que a dose de verdade
Que eu tomei
Estava forte demais

E agora isso é tudo
Que eu consigo
Vomitar.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

The Spy

I'm a spy in the house of love.
I know the dream, that you're dreamin' on.
I know the words that you love to hear.
I know your deepest and secret fear.
I'm a spy in the house of love.
I know the dream, that you're dreamin' on.
I know the words that you love to hear.
I know your deepest and secret fear.
I know everything. Everything you do.
Everywhere you go.
Everyone you know.
I know your deepest and secret fear.
I'm a spy, I can see you
What you do.
And I know

The Spy - Doors
(A musica dos meus sonhos. Cante para mim e te amarei para sempre)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Você é do tamanho dos seus sonhos.

Essa vontade de expandir esse universo
Ultrapassa o corpo, a mão, o papel
E parece ser indescritível em qualquer verso.

Elisabeth e as quatro paredes

- E pra você, o que é o amor? - perguntou o garçom.
- Ahhh, o amor... O amor era 1997, em Salvador. Era a Elisabeth.
Era chegar em casa e não se preocupar mais com nada. Misturar tudo que tinha na geladeira e comer, sabe? Era aquela televisão ligada no mudo com a calcinha dela em cima, a antena no chão, a cama na sala, lençóis caindo, travesseiros em cima da estante, celulares desligados, aquele aquário perto da porta... e ainda bem que aqueles peixes não falavam. Eram bilhetinhos azuis na parede, marcas de batom vermelho em mim e o all star amarelo dela no chão - o amor era tão colorido! Era estar em casa e não querer mais sair. Era passar madrugadas acordadas, tardes inteiras dormindo, almoçar meia noite e tomar café às três da tarde...


Era a liberdade da época da Elisabeth e daquelas quatro paredes...
Lá dentro eu aprendi que o amor cabe em qualquer lugar.